A INFLUÊNCIA DO PLANO ASTRAL NA CANALIZAÇÃO

Por Gerrit Gielen

O QUE É O PLANO ASTRAL? COMO ELE SURGIU?
Ao morrer, você fica livre; livre para voltar ao seu plano espiritual de origem; livre para criar sua própria realidade. Mas essa liberdade pode ser uma armadilha. Muitas pessoas não são livres no nível interno. Elas se trancaram em crenças firmes sobre o bem e o mal, sobre a vida, a morte e vida após a morte. Outras não estão tão presas a certas crenças, mas a emoções e desejos, tais como vícios, raiva, sentimentos de inferioridade.
O plano astral, entre outras coisas, é a criação conjunta de todas essas pessoas. É um plano social de existência, no qual todas as formas-pensamento de medo, ilusão e desejo tomam forma diretamente. Por exemplo, se você tem muitos pensamentos sombrios, poderá se encontrar numa paisagem árida e cinza.

Esta paisagem reflete seu estado interior. As pessoas ficam no plano astral até que o chamado de suas almas se torne tão forte que elas liberem suas ilusões e se elevem ao plano espiritual, ou – se isto não for possível – até que durmam e encarnem novamente.

Por exemplo, quando alguém acredita que chegará numa “cidade dourada” logo após sua morte, onde as pessoas passeiam exultando e louvando a Deus, então é lá que ele chegará junto com outros que também acreditam nisso.

No começo, ficam muito contentes ali; pensam que estão no Céu. Mas, a vida acaba ficando aborrecida e monótona; e a “cidade dourada” se torna uma prisão.

Através dessa experiência, abre-se um espaço interior, no qual a voz da alma, a voz da verdade, é ouvida novamente. Gradualmente, ocorre um despertar, e a ilusão astral da “cidade dourada” é liberada.

O plano astral está cheio de “Céus” de pessoas de convicção fundamentalista. Quanto mais fortes são suas convicções, mais tempo leva para que elas ouçam o chamado de suas almas. Mas não só “Céus” são encontrados no plano astral; algumas pessoas criam uma espécie de “inferno” para si mesmas.

Um indivíduo que sofra de forte complexo de inferioridade pode encontrar-se num local vazio e solitário, que reflita seus sentimentos internos. Neste caso também, pode levar bastante tempo para essa pessoa permitir que sua Luz interior venha à tona.

Em resumo, o plano astral é um lugar de reunião de todos que ainda não estão abertos à voz da alma. Como suas convicções não estão fundamentadas na sabedoria de suas almas, eles criam sua própria prisão baseada em suas convicções.
COMO O PLANO ASTRAL INFLUENCIA OS MÉDIUNS E CANALIZADORES?
Há duas maneiras:
1. O CICLO DO MEDO
O plano astral é parcialmente formado por nós – os vivos – especialmente por nossas emoções fortes, como raiva e medo. Como plano, o astral está perto do plano terreno, no sentido de que a maioria dos medos e preconceitos humanos que prevalecem lá corresponde aos medos e preconceitos que existem na Terra, na consciência coletiva da humanidade.

Por exemplo, quando as pessoas na Terra estão com medo de catástrofes naturais, todo tipo de imagens de catástrofes naturais surge nas regiões inferiores do plano astral.

Estas imagens do juízo final podem ser captadas por pessoas paranormais e sensitivas, que as interpretam como imagens do futuro e as apresentam como verdades superiores aos seus ouvintes.

Além disso, vagando pelas regiões inferiores do plano astral, há todo tipo de entidade que não consegue se desapegar da Terra. Algumas delas gostam de provocar a transmissão de visões de medo, porque isto faz com que se sintam importantes. Geralmente são mortos que não conseguem se desligar da Terra, aqueles cuja consciência ainda está totalmente focalizada na Terra, e que dão muita importância ao reconhecimento e atenção de seres humanos.

Eles precisam do contato com pessoas, e se elas começam a vê-los como mensageiros de verdades superiores, alguns deles acham isso totalmente fantástico! E declararão qualquer coisa que reforce o status de mensageiro importante. Assim, um ciclo de medo é criado.

Devido a esse ciclo de medo, alimentado por forças humanas e astrais, pode acontecer – e de fato acontece – de pessoas se reunirem ao redor de um guru, acreditando que ele realmente canaliza conhecimento superior, sendo que, na verdade, ele está apenas confirmando as próprias visões dessas pessoas, enquanto as apresenta como transmissões superiores. Muitas previsões sobre 2012, especialmente aquelas que falam de catástrofes, podem ser explicadas desta maneira.
2. GURUS DO ASTRAL
O desenvolvimento espiritual da humanidade fará com que o plano astral acabe desaparecendo. Uma vez que o ser humano se sintonize com sua alma, com sua verdade interior e ouça seu coração em vez do seu ego, o plano astral deixará de ser alimentado. O plano astral prospera com base em ilusões e emoções inferiores; a verdade e o amor significarão seu fim.

Entretanto, atualmente existem entidades no plano astral que moram lá há muito tempo e construíram uma posição especial. Num “Céu” fundamentalista (pensem na “cidade dourada” mencionada anteriormente), geralmente há um único líder, um guru autoproclamado, que se enxerga como a voz da verdade. Essa pessoa obtém todo seu status da sua posição especial no plano astral.

Durante séculos, essa pessoa pode ter adotado a postura de uma personalidade religiosa famosa, como Cristo, por exemplo. Pode inclusive ter se convencido de que é o Cristo. É lógico que isto será confirmado pelos seus seguidores, que acreditam que, no seu Céu fundamentalista, eles devem estar perto do Cristo.

Naturalmente, este guru do astral acha que se lembra de tudo o que se refere à vida de Cristo. Em cada Céu fundamentalista – e existem muitos! – há sempre um Cristo como esse perambulando por ali. Isto explica, por exemplo, por que existe tanta informação canalizada conflitante sobre a vida de Cristo.

Entretanto, um guru astral como esse nunca está completamente desligado da realidade. Ele compreende que o crescimento espiritual da humanidade é uma ameaça para ele e tentará impedir que isso aconteça, enviando informações para a Terra que fortaleçam o medo e a dualidade aqui. Estas informações são transmitidas sob a forma de canalizações, por exemplo.

Como essas entidades geralmente possuem uma percepção sofisticada e conhecimento sobre a natureza humana, na maior parte das vezes é difícil reconhecê-las como impuras. Além do mais, as próprias entidades normalmente acreditam na precisão das suas informações.

A capacidade humana para se auto-iludir é maior ainda no plano astral do que na Terra. 

Na Terra há uma constante confrontação com vozes discordantes e com os fatos, mas isto dificilmente acontece no plano astral; lá cada mudança de crença tem que vir de dentro do próprio indivíduo.


COMO SE RECONHECE QUE UMA INFORMAÇÃO É IMPURA?

Informação pura vem do plano da alma, o plano espiritual, o plano da unidade, do amor, da liberdade e respeito por tudo que vive. A informação pura toca os nossos corações, ao nos dar imediatamente uma sensação de paz, amor e sabedoria.

Ela nos faz sentir bem em relação ao universo em que vivemos; e nos oferece uma sensação de confiança em nós mesmos. A informação pura nos leva à verdadeira compreensão de quem nós somos.

O propósito da informação impura é sempre frustrar o desenvolvimento espiritual da humanidade e fortalecer o plano astral, criando novas ilusões e medos.

A informação impura tem as seguintes características:
– A informação impura proclama a dualidade: “Isto é ruim, isto é bom; aquelas pessoas estão erradas; existem conspirações contra a humanidade; haverá desastres”, etc…
Por que essa informação está sendo divulgada? O Plano Espiritual é um plano de unidade; por trás de toda expressão do Espírito que vemos fora de nós mesmos, existe uma essência de unicidade que todos compartilham. Iluminação significa estar completamente consciente dessa unidade.

Pensar com base na dualidade – seja o que for a dualidade – mantém o ser humano afastado da sua unidade, afastado da sua Luz interior.

– A informação impura exerce coerção e pressão: “Você tem que fazer isto ou aquilo para ser puro; certifique-se de que está pronto para as mudanças que ocorrerão; você deve se trabalhar muito, senão as coisas darão muito errado para você,” etc…
Por que isso está sendo afirmado? A alma o conecta com a unidade, com o Todo. Para entrar em contato consigo mesmo, você precisa aprender a ouvir sua alma. Isto só pode acontecer em liberdade. A voz da alma é uma voz gentil, não coerciva. Toda pressão e coerção mantém o ser humano afastado da alma.
– Informação impura traz à tona o medo: “Desastres estão prestes a acontecer; você deve se juntar a nós, senão as coisas irão mal; cuidado com isto ou aquilo”, etc…
A voz da alma é uma voz de amor, não de medo. Incentivar as pessoas a ouvir a voz do medo faz com que elas se afastem de seus centros.
– A informação impura não é focalizada no aqui e agora: Mencionam-se datas específicas de eventos futuros, ou conta-se a enésima história cósmica da humanidade. Com frequência, estas são muito interessantes, entretanto nada fica claro sobre a vida aqui e agora.
O desenvolvimento espiritual sempre se dá no agora. Ao se levar uma pessoa para fora da sua consciência do agora, dificulta-se seu desenvolvimento espiritual.
– A informação impura faz você se sentir mal a respeito de si mesmo: Se você não concordar com o texto, fica implícito que você é estúpido e ingênuo, ou egoísta e ainda não iluminado.
Quando o ser humano acredita que isto é verdade, tem menos confiança em sua própria intuição e orientação interior. Isto também impede seu desenvolvimento espiritual natural.
– Os informantes impuros proclamam que eles são o único canal verdadeiro e o mais puro: Insinuam que têm acesso privilegiado a informações que só podem ser recebidas através deles.
No momento em que você quer fazer as pessoas acreditarem que existe uma autoridade espiritual fora delas mesmas que sabe melhor, você está negando a própria Luz dessas pessoas.

FINALMENTE
Canalizar é um talento como outros: pintar, escrever, talento musical, etc… O dom da canalização não torna ninguém uma pessoa melhor… não mais do que outros dons o fazem. Inclusive, as pessoas que estão canalizando não são autoridades em assuntos espirituais ou éticos.
No seu artigo “O que é Canalização?”, Pamela Kribbe escreve: “O que é decisivo para o valor de um texto canalizado é a riqueza do seu conteúdo, a clareza e o amor que ele expressa. O que é dado como fonte da canalização é de importância secundária. Além disso, mensagens canalizadas são recebidas por seres humanos e, assim, são sempre coloridas pelas experiências pessoais e a estrutura conceitual daquele que transmite a informação.”

(Esta citação é de um artigo em Holandês. Para ler um artigo em Português sobre canalização, veja “Quem somos nós”, em www.jeshua.net/por, no final da “Biografia de Pamela”).

Pessoalmente, penso que cada um deveria ler uma mensagem canalizada como ouve uma música no rádio; se ela toca seu coração e você se sente elevado por ela; aproveite-a. Senão, sintonize outra estação.
© Gerrit Gielen

HAVERÁ FALSOS CRISTOS E FALSOS PROFETAS – Referência Bíblica

Conhece-se a árvore pelo fruto

1. A árvore que produz maus frutos não é boa e a árvore que produz bons frutos não é má; – porquanto, cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos nos espinheiros, nem cachos de uvas nas sarças. – O homem de bem tira boas coisas do bom tesouro do seu coração e o mau tira-as más do mau tesouro do seu coração; porquanto, a boca fala do de que está cheio o coração. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 43 a 45.)
2. Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha e que por dentro são lobos rapaces. – Conhecê-lo-eis pelos seus frutos. Podem colher-se uvas nos espinheiros ou figos nas sarças? – Assim, toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má produz maus frutos. – Uma árvore boa não pode produzir frutos maus e uma árvore má não pode produzir frutos bons. – Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo. – Conhecê-la-eis, pois, pelos seus frutos. (S. MATEUS, cap. VII, vv. 15 a 20.)
3. Tende cuidado para que alguém não vos seduza; – porque muitos virão em meu nome, dizendo: “Eu sou o Cristo”, e seduzirão a muitos.
Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; – e porque abundará a iniqüidade, a caridade de muitos esfriará. – Mas aquele que perseverar até o fim se salvará.
Então, se alguém vos disser: O Cristo está aqui, ou está ali, não acrediteis absolutamente; – porquanto falsos Cristos e falsos profetas se levantarão que farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse possível, os próprios escolhidos. (S. MATEUS, cap. XXIV, vv. 4, 5, 11 a 13, 23, e 24; S. MARCOS, cap. XIII, vv. 5, 6, 21 e 22.)
Missão dos profetas
4. Atribui-se comumente aos profetas o dom de adivinhar o futuro, de sorte que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação. Diz-se de todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode, pois, um homem ser profeta, sem fazer predições. Aquela era a idéia dos judeus, ao tempo de Jesus. Daí vem que, quando o levaram à presença do sumo-sacerdote Caifás, os escribas e os anciães, reunidos, lhe cuspiram no rosto, lhe deram socos e bofetadas, dizendo: “Cristo, profetiza para nós e dize quem foi que te bateu.” 

Entretanto, deu-se o caso de haver profetas que tiveram a presciência do futura, quer por intuição, quer por providencial revelação, a fim de transmitirem avisos aos homens. Tendo-se realizado os acontecimentos preditos, o dom de predizer o futuro foi considerado como um dos atributos da qualidade de profeta.

Prodígios dos falsos profetas

5. “Levantar-se-ão falsos Cristos e falsos profetas, que farão grandes prodígios e coisas de espantar, a ponto de seduzirem os próprios escolhidos.” Estas palavras dão o verdadeiro sentido do termo prodígio.

Na acepção teológica, os prodígios e os milagres são fenômenos excepcionais, fora das leis da Natureza.

Sendo estas, exclusivamente, obra de Deus, pode ele, sem dúvida, derrogá-las, se lhe apraz; o simples bom senso, porém, diz que não é possível haja ele dado a seres inferiores e perversos um poder igual ao seu, nem, ainda menos, o direito de desfazer o que ele tenha feito. Semelhante princípio não no pode Jesus ter consagrado.

Se, portanto, de acordo com o sentido que se atribui a essas palavras, o Espírito do mal tem o poder de fazer prodígios tais que os próprios escolhidos se deixem enganar, o resultado seria que, podendo fazer o que Deus faz, os prodígios e os milagres não são privilégio exclusivo dos enviados de Deus e nada provam, pois que nada distingue os milagres dos santos dos milagres do demônio. Necessário, então, se torna procurar um sentido mais racional para aquelas palavras.

Para o vulgo ignorante, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por sobrenatural, maravilhoso e miraculoso; uma vez encontrada a causa, reconhece-se que o fenômeno, por muito extraordinário que pareça, mais não é do que aplicação de urna lei da Natureza. 

Assim, o círculo dos fatos sobrenaturais se restringe à medida que o da Ciência se alarga.

Em todos os tempos, homens houve que exploraram, em proveito de suas ambições, de seus interesses e do seu anseio de dominação, certos conhecimentos que possuíam, a fim de alcançarem o prestígio de um pseudopoder sobre-humano, ou de Lima pretendida missão divina.

São esses os falsos Cristos e falsos profetas. A difusão das luzes lhes aniquila o crédito, donde resulta que o número deles diminui à proporção que os homens se esclarecem. O fato de operar o que certas pessoas consideram prodígios não constitui, pois, sinal de uma missão divina, visto que pode resultar de conhecimento cuja aquisição está ao alcance de qualquer um, ou de faculdades orgânicas especiais, que o mais indigno não se acha inibido de possuir, tanto quanto o mais digno. O verdadeiro profeta se reconhece por mais sérios caracteres e exclusivamente morais.

Não creais em todos os Espíritos

6. Meus bem-amados, não creais em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. (S. JOÃO, Epístola 1ª, cap. IV, v. 1.)
7. Os fenômenos espíritas, longe de abonarem os falsos Cristos e os falsos profetas, como a algumas pessoas apraz dizer, golpe mortal desferem neles.

Não peçais ao Espiritismo prodígios, nem milagres, porquanto ele formalmente declara que os não opera. Do mesmo modo que a Física, a Química, a Astronomia, a Geologia revelaram as leis do inundo material, ele revela outras leis desconhecidas, as que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual, leis que, tanto quanto aquelas outras da Ciência, são leis da Natureza.

Facultando a explicação de certa ordem de fenômenos incompreendidos até o presente, ele destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso.

Quem, portanto, se sentisse tentado a lhe explorar em proveito próprio os fenômenos, fazendo-se passar por messias de Deus, não conseguiria abusar por muito tempo da credulidade alheia e seria logo desmascarado. Aliás, como já se tem dito, tais fenômenos, por si sós, nada provam: a missão se prova por efeitos morais, o que não é dado a qualquer um produzir. Esse um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita; pesquisando a causa de certos fenômenos, de sobre muitos mistérios levanta ela o véu. Só os que preferem a obscuridade à luz, têm interesse em combatê-la; mas, a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.



O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas idéias. 

Antes que se conhecessem as relações mediúnicas, eles atuavam de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. É considerável o número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nestes últimos tempos, se hão apresentado como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus.

S. João adverte contra eles os homens, dizendo: “Meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas, experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se tem levantado no mundo.”

O Espiritismo nos faculta os meios de experimentá-los, apontando os caracteres pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, caracteres sempre morais, nunca materiais (1). É a maneira de se distinguirem dos maus os bons Espíritos que, principalmente, podem aplicar-se estas palavras de Jesus: “Pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não os pode produzir bons.” Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade dos seus frutos.

(1) Ver, sobre a maneira de se distinguirem os Espíritos: O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIV e seguintes.
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Os falsos profetas

8. Se vos disserem: “O Cristo está aqui”, não vades; ao contrário, tende-vos em guarda, porquanto numerosos serão os falsos profetas. Não vedes que as folhas da figueira começam a branquear; não vedes os seus múltiplos rebentos aguardando a época da floração; e não vos disse o Cristo: Conhece-se a árvore pelo fruto? Se, pois, são amargos os frutos, já sabeis que má é a árvore; se, porém, são doces e saudáveis, direis: “Nada que seja puro pode provir de fonte má.”
É assim, meus irmãos, que deveis julgar; são as obras que deveis examinar. Se os que se dizem investidos de poder divino revelam sinais de uma missão de natureza elevada, isto é, se possuem no mais alto grau as virtudes cristãs e eternas: a caridade, o amor, a indulgência, a bondade que concilia os corações; se, em apoio das palavras, apresentam os atos, podereis então dizer: Estes são realmente enviados de Deus.
Desconfiai, porém, das palavras melífluas, desconfiai dos escribas e dos fariseus que oram nas praças públicas, vestidos de longas túnicas. Desconfiai dos que pretendem ter o monopólio da verdade!

Não, não, o Cristo não está entre esses, porquanto os que ele envia para propagar a sua santa doutrina e regenerar o seu povo serão, acima de tudo, seguindo-lhe o exemplo, brandos e humildes de coração; os que hajam, com os exemplos e conselhos que prodigalizem, de salvar a humanidade, que corre para a perdição e pervaga por caminhos tortuosos, serão essencialmente modestos e humildes.

De tudo o que revele um átomo de orgulho, fugi, como de uma lepra contagiosa, que corrompe tudo em que toca.

Lembrai-vos de que cada criatura traz na fronte, mas principalmente nos atos, o cunho da sua grandeza ou da sua inferioridade.

Ide, portanto, meus filhos bem-amados, caminhai sem tergiversações, sem pensamentos ocultos, na rota bendita que tomastes.

Ide, ide sempre, sem temor; afastai, cuidadosamente, tudo o que vos possa entravar a marcha para o objetivo eterno. Viajores, só por pouco tempo mais estareis nas trevas e nas dores da provação, se abrirdes o vosso coração a essa suave doutrina que vos vem revelar as leis eternas e satisfazer a todas as aspirações de vossa alma acerca do desconhecido.

Já podeis dar corpo a esses silfos ligeiros que vedes passar nos vossos sonhos e que, efêmeros, apenas vos encantavam o espírito, sem coisa alguma dizerem ao vosso coração. Agora, meus amados, a morte desapareceu, dando lugar ao anjo radioso que conheceis, o anjo do novo encontro e da reunião! Agora, vós que bem desempenhado haveis a tarefa que o Criador confia às suas criaturas, nada mais tendes de temer da sua justiça, pois ele é pai e perdoa sempre aos filhos transviados que clamam por misericórdia. Continuai, portanto, avançai incessantemente. Seja vossa divisa a do progresso, do progresso contínuo em todas as coisas, até que, finalmente, chegueis ao termo feliz da jornada, onde vos esperam todos os que vos precederam. – Luís. (Bordéus, 1861.)

Caracteres de verdadeiro profeta

9. Desconfiai dos falsos profetas. É útil em todos os tempos essa recomendação, mas, sobretudo, nos momentos de transição em que, como no atual, se elabora uma transformação da Humanidade, porque, então, uma multidão de ambiciosos e intrigantes se arvoram em reformadores e messias. E contra esses impostores que se deve estar em guarda, correndo a todo homem honesto o dever de os desmascarar. Perguntareis, sem dúvida, como reconhecê-los. Aqui tendes o que os assinala:
Somente a um hábil general, capaz de o dirigir, se confia o comando de um exército. Julgais que Deus seja menos prudente do que os homens? Ficai certos de que só confia missões importantes aos que ele sabe capazes de as cumprir, porquanto as grandes missões são fardos pesados que esmagariam o homem carente de forças para carregá-los. Em todas as coisas, o mestre há de sempre saber mais do que o discípulo; para fazer que a Humanidade avance moralmente e intelectualmente, são precisos homens superiores em inteligência e em moralidade. Por isso, para essas missões são sempre escolhidos Espíritos já adiantados, que fizeram suas provas noutras existências, visto que, se não fossem superiores ao meio em que têm da atuar, nula lhes resultaria a ação.

Isto posto, haveis de concluir que o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar, pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras, a missão de que se diz portador. Tirai também esta outra conseqüência: se, pelo seu caráter, pelas suas virtudes, pela sua inteligência, ele se mostra abaixo do papel com que se apresente, ou da personagem sob cujo nome se coloca, mais não é do que um histrião de baixo estofo, que nem sequer sabe imitar o modelo que escolheu.

Exemplos de vida

Outra consideração: os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte; desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem, secundado pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado, mas sem desígnio premeditado. Numa palavra: os verdadeiros profetas se revelam por seus atos, são adivinhados, ao passo que os falsos profetas se dão, eles próprios, como enviados de Deus. O primeiro é humilde e modesto; o segundo, orgulhoso e cheio de si, fala com altivez e, como todos os mendazes, parece sempre temeroso de que não lhe dêem crédito.

Alguns desses impostores têm havido, pretendendo passar por apóstolos do Cristo, outros pelo próprio Cristo, e, para vergonha da Humanidade, hão encontrado pessoas assaz crédulas que lhes crêem nas torpezas. Entretanto, uma ponderação bem simples seria bastante a abrir os olhos do mais cego, a de que se o Cristo reencarnasse na Terra, viria com todo o seu poder e todas as suas virtudes, a menos se admitisse, o que fora absurdo, que houvesse degenerado.

Ora, do mesmo modo que, se tirardes a Deus um só de seus atributos, já não tereis Deus, se tirardes uma só de suas virtudes ao Cristo, já não mais o tereis. Possuem todas as suas virtudes os que se dão como sendo o Cristo? Essa a questão.

Observai-os, perscrutai-lhes as idéias e os atos e reconhecereis que, acima de tudo, lhes faltam as qualidades distintivas do Cristo; a humildade e a caridade, sobejando-lhes as que o Cristo não tinha: a cupidez e o orgulho. Notai, ao demais, que neste momento há, em vários países, muitos pretensos Cristos, como há muitos pretensos Elias, muitos S. João ou S. Pedro e que não é absolutamente possível sejam verdadeiros todos, Tende como certo que são apenas criaturas que exploram a credulidade dos outros e acham cômodo viver à custa dos que lhes prestam ouvidos.

Desconfiai, pois, dos falsos profetas, máxime numa época de renovação, qual a presente, porque muitos impostores se dirão enviados de Deus. Eles procuram satisfazer na Terra à sua vaidade; mas uma terrível justiça os espera, podeis estar certos. – Erasto. (Paris, 1862.)
Canalizações Falsas e pedidos de oferenda de sangue

Os falsos profetas da erraticidade

10. Os falsos profetas não se encontram unicamente entre os encarnados. Há-os também, e em muito maior número, entre os Espíritos orgulhosos que, aparentando amor e caridade, semeiam a desunião e retardam a obra de emancipação da Humanidade, lançando-lhe de través seus sistemas absurdos, depois de terem feito que seus médiuns os aceitem.

E, para melhor fascinarem aqueles a quem desejam iludir, para darem mais peso às suas teorias, se apropriam sem escrúpulo de nomes que só com muito respeito os homens pronunciam.

São eles que espalham o fermento dos antagonismos entre os grupos, que os impelem a isolarem-se uns dos outros e a olharem-se com prevenção. Isso por si só bastaria para os desmascarar, pois, procedendo assim, são os primeiros a dar o mais formal desmentido às suas pretensões.

Cegos, portanto, são os homens que se deixam cair em tão grosseiro embuste.

Mas, há muitos outros meios de serem reconhecidos. Espíritos da categoria em que eles dizem achar-se têm de ser não só muito bons, como também eminentemente racionais.

Pois bem: passai-lhes os sistemas pelo crivo da razão e do bom senso e vede o que restará. Convinde, pois, comigo, em que, todas as vezes que um Espírito indica, como remédio aos males da Humanidade ou como meio de conseguir-se a sua transformação, coisas utópicas e impraticáveis, medidas pueris e ridículas; quando formula um sistema que as mais rudimentares noções da Ciência contradizem, não pode ser senão um Espírito ignorante e mentiroso.

Deus ou  Espíritos de Luz NÃO necessitam de oferenda,
principalmente sangue de animais inocentes

Por outro lado, crede que, se nem sempre os indivíduos apreciam a verdade, esta é apreciada sempre pelo bom senso das massas, constituindo isso mais um critério. Se dois princípios se contradizem, achareis a medida do valor intrínseco de ambos, verificando qual dos dois encontra mais ecos e simpatias.

Fora, com efeito, ilógico admitir-se que uma doutrina cujo número de adeptos diminua progressivamente seja mais verdadeira do que outra que veja o dos seus em continuo aumento. Querendo que a verdade chegue a todos, Deus não a confina num círculo acanhado: fá-la surgir em diferentes pontos, a fim de que por toda a parte a luz esteja ao lado das trevas.

Repeli sem condescendência todos esses Espíritos que se apresentam como conselheiros exclusivos, pregando a separação e o insulamento. São quase sempre Espíritos vaidosos e medíocres, que procuram impor-se a homens fracos e crédulos, prodigalizando-lhes exagerados louvores, a fim de os fascinar e de tê-los dominados. São, geralmente, Espíritos sequiosos de poder e que, déspotas públicos ou nos lares, quando vivos, ainda querem vitimas para tiranizar depois de terem morrido. Em geral, desconfiai das comunicações que trazem um caráter de misticismo e de singularidade, ou que prescrevem cerimônias e atos extravagantes. Há sempre, nesses casos, motivo legítimo de suspeição.
Estai certos, igualmente, de que quando uma verdade tem de ser revelada aos homens, é, por assim dizer, comunicada instantaneamente a todos os grupos sérios, que dispõem de médiuns também sérios, e não a tais ou quais, com exclusão dos outros. Nenhum médium é perfeito, se está obsidiado; e há manifesta obsessão quando um médium só é apto a receber comunicações de determinado Espírito, por mais alto que este procure colocar-se.

Conseguintemente, todo médium e todo grupo que considerem privilégio seu receber as comunicações que obtêm e que, por outro lado, se submetem a práticas que tendem para a superstição, indubitavelmente se acham presas de uma obsessão bem caracterizada, sobretudo quando o Espírito dominador se pavoneia com um nome que todos, encarnados e desencarnados, devem honrar e respeitar e não permitir seja declinado a todo propósito.

É incontestável que, submetendo ao crivo da razão e da lógica todos os dados e todas as comunicações dos Espíritos, fácil se torna rejeitar a absurdidade e o erro, Pode um médium ser fascinado, e iludido um grupo; mas, a verificação severa a que procedam os outros grupos, a ciência adquirida, a alta autoridade moral dos diretores de grupos, as comunicações que os principais médiuns recebam, com um cunho de lógica e de autenticidade dos melhores Espíritos, justiçarão rapidamente esses ditados mentirosos e astuciosos, emanados de uma turba de Espíritos mistificadores ou maus. – Erasto, discípulo de São Paulo. (Paris, 1862,)
(Veja-se, na “Introdução”, o parágrafo II: Verificação universal do ensino dos Espíritos. – O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIII, Da obsessão.)

Jeremias e os falsos profetas

11. Eis o que diz o Senhor dos Exércitos: Não escuteis as palavras dos profetas que vos profetizam e que vos enganam. Eles publicam as visões de seus corações e não o que aprenderam da boca do Senhor. – Dizem aos que de mim blasfemam: O Senhor o disse, tereis paz; e a todos os que andam na corrupção de seus corações: Nenhum mal vos acontecerá. – Mas, qual dentre eles assistiu ao conselho de Deus? Qual o que o viu e escutou o que ele disse? – Eu não enviava esses profetas; eles corriam por si mesmos; eu absolutamente não lhes falava; eles profetizavam de suas cabeças. – Eu ouvi o que disseram esses profetas que profetizavam a mentira em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. – Até quando essa imaginação estará no coração dos que profetizam a mentira e cujas profecias não são senão as seduções do coração deles? Se, pois, este povo, ou um profeta, ou um sacerdote vos interrogar e disser: Qual o fardo do Senhor? dir-lhe-eis: vós mesmos sois o fardo e eu vos lançarei bem longe de mim, diz o Senhor. (JEREMIAS, cap. XXIII, vv. 16 a 18, 21, 25, 26 e 33.)
É dessa passagem do profeta Jeremias que quero tratar convosco, meus amigos. Falando pela sua boca, diz Deus: “É a visão do coração deles que os faz falar.”

Essas palavras claramente indicam que, já naquela época, os charlatães e os exaltados abusavam do dom de profecia e o exploravam. Abusavam, por conseguinte, da fé simples e quase cega do povo, predizendo, por dinheiro, coisas boas e agradáveis. Muito generalizada se achava essa espécie de fraude na nação judia, e fácil é de compreender-se que o pobre povo, em sua ignorância, nenhuma possibilidade tinha de distinguir os bons dos maus, sendo sempre mais ou menos ludibriado pelos pseudoprofetas, que não passavam de impostores ou fanáticos.

Nada há de mais significativo do que estas palavras: “Eu não enviei esses profetas e eles correram por si mesmos; não lhes falei e eles profetizaram.” Mais adiante, diz: “Eu ouvi esses profetas que profetizavam a mentira em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei.” Indicava assim um dos meios que eles empregavam para explorar a confiança de que eram objeto. A multidão, sempre crédula, não pensava em lhes contestar a veracidade dos sonhos, ou das visões; achava isso muito natural e constantemente os convidava a falar.

Após as palavras do profeta, escutai os sábios conselhos do apóstolo S. João, quando diz: “Não acrediteis em todo Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus”, porque, entre os invisíveis, também há os que se comprazem em iludir, se se lhes depara ocasião. Os iludidos são, está-se a ver, os médiuns que se não precatam bastante. Aí se encontra, é fora de toda dúvida, um dos maiores escolhos em que muitos funestamente esbarram, mormente se são novatos no Espiritismo. É-lhes isso uma prova de que só com muita prudência podem triunfar. Aprendei, pois, antes de tudo, a distinguir os bons e os maus Espíritos, para, por vossa vez, não vos tornardes falsos profetas. – Luoz, Espírito Protetor. (Carlsruhe, 1861.)

Fonte: http://www.redeamigoespirita.com.br



Nota do Blog: Gostaria de finalizar o post dando a minha humilde opinião. Vivemos um período de extrema importância na história de nossa civilização, um período de mudanças radicais, evoluções coletivas e ascensão. É preciso que o ser humano apare todas as suas arestas, afogando seus egos e simplificando a compreensão de Deus em toda sua plenitude e assim tornando mais fácil também a compreensão de si mesmos.

Todos nós somos responsáveis por aquilo que somos, que vivenciamos, que escolhemos ao longo de nossas vidas. Toda escolha tem uma consequência. Todo plantio tem uma colheita. Eu, em minha jornada de vida já presenciei muita gente se perdendo no caminho. Parentes, amigos, pessoas os quais convivi ainda presas na ilusão da vida. Eu mesma já me perdi e me reencontrei muitas vezes.

Milhões de pessoas nesse mundo elegem falsos profetas, falsos espíritos, falsas crenças, acreditando que com isso poderiam estar livres da lei da ação e reação. Os ensinamentos passados neste post devem ser lidos e profundamente compreendidos no coração de cada um. Muito cuidado nas escolhas, muito cuidado nas palavras, muito cuidado nas atitudes. O tempo se faz pequeno, e agora é realmente a hora do nosso julgamento e seremos direcionados ao nosso destino final levando-se em conta o caminho que escolhemos.

Fiquem com Deus.

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